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Responsabilidade Social - Nelson Dequech

A grande missão de Nelson Dequech
Filho de pioneiros, ele encarou o desafio de salvar o Hospital do Câncer – e a si próprio

Nelson Dequech

Nelson Dequech salvou a vida do Hospital do Câncer de Londrina. E o Hospital do Câncer de Londrina salvou a vida de Nelson Dequech. Filho de David Dequech, pioneiro de primeiríssima hora, que montou a primeira loja comercial de Londrina, Nelson, há poucos anos, arrasado por conta de uma tragédia familiar, não encontrava ânimo sequer para amarrar os sapatos. Foi nesse contexto que ele recebeu telefonemas de membros do Conselheiro Deliberativo do HCL – do qual fazia parte – com um desafio assustador: assumir as rédeas de um empreendimento com 916 títulos protestados, sérios problemas trabalhistas, vícios funcionais saindo pelo ladrão e prestes a fechar as portas diante de dois mil pacientes com câncer, para contar apenas aqueles cujos prontuários haviam sido recém abertos.

Aquela poderia ser considerada certamente a pior crise de uma das instituições mais importantes do Paraná desde que, em 1965, um grupo de abnegados – o mesmo que fundou também o Lar Anália Franco e o Albergue Noturno – criou um ambulatório de prevenção ao câncer, para o encaminhamento de indigentes que não tinham a quem recorrer. A obra concretizava o ideal de vida de uma mulher, Lucilla Ballalai, e hoje representa uma luz para milhares de pessoas no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de câncer. Sempre com o apoio da comunidade, hoje o HC é um complexo clínico e de pesquisa com milhares de metros quadrados no Jardim Petrópolis.

Mas que, em 2005, estava à beira da falência. “A situação era caótica”, afirma Dequech, que se formou em Engenharia Civil no Mackenzie, em São Paulo, e voltou a Londrina em 1975, já casado e com filhos, para atuar no ramo da construção civil. Diante das dificuldades, o sangue falou mais alto. Desafio aceito, Dequech evocou a tradição libanesa para os negócios (“Loja que vende abaixo do custo, quanto mais vende, mais prejuízo dá”) e recorreu à arma de sempre: o apelo à comunidade que, mais uma vez, respondeu prontamente.

“A primeira grande vitória foi a aquisição de um acelerador linear, um equipamento de ponta para a radioterapia”, afirma Dequech, que se diz avesso a cultuar personalidades. “São tantas as ajudas, desde trabalhos voluntários a doações de recursos, de empresas e de pessoas físicas, que é melhor nem citar, para evitar injustiças.” O auxílio veio até da Vara de Execuções Penais. O então juiz corregedor Roberto do Vale ofereceu ajuda e, durante semanas, apenados de Londrina providenciaram a pintura interna dos quartos e, de volta à penitenciária, levavam camas e outros equipamentos hospitalares para serem recuperados e pintados.

Paralelamente à ajuda comunitária, que já permitiu construção de novas alas para aperfeiçoar o tratamento e humanizar o atendimento, Nelson Dequech tomou medidas administrativas como a adoção de um novo organograma, descentralizando o poder e redistribuindo funções. Foram medidas preparativas para o choque de gestão que tirou do vermelho uma instituição que no ano passado prestou 338.308 atendimentos a 18.795 pacientes de 218 municípios de oito Estados – mais de 90% deles pelo SUS.

“Hoje as dívidas estão equacionadas, os pagamentos estão em dia, assim como estamos em dia com a Receita Federal e a Justiça do Trabalho”, diz Dequech, que sempre contou com a colaboração da esposa Dilza. “Em troca, recebemos a vida de volta.”