A guinada tecnológica de Ivan Dias
Físico da UEL ajudou a fundar a Adetec, entidade gestora da incubadora da qual nasceram 45 empresas
É inegável que, além do necessário conhecimento, toda inovação surge de um estalo ou de um acontecimento fortuito qualquer. O caso da Adetec parece corroborar essa tese. A entidade que criou o caldo cultural que permitiu o surgimento das estruturas de desenvolvimento tecnológico existentes hoje na cidade nasceu de uma conversa de cafezinho entre professores no balcão do Departamento de Física da UEL, há cerca de vinte anos. No bate-papo informal, apareceram críticas ao governo do Estado pela falta de um projeto de desenvolvimento tecnológico. E logo veio a constatação de que, se o Estado não tinha um, Londrina muito menos.
Foi o que bastou para que o físico mineiro Ivan Frederico Lupiano Dias arregaçasse as mangas. “Na hora, pensei: vou fazer um projeto para Londrina, focado na criação de um pólo tecnológico.” Era final de 1991, começo de 1992. Ivan Dias passara um ano e pouco à frente da pró-reitoria de Recursos Humanos da UEL. “Não era a minha praia. Não via possibilidade de desenvolver pesquisa como havia feito no meu doutorado na UFMG, onde trabalhei com uma linha de pesquisa focada na técnica de preparação de cristais semicondutores, que são a base de qualquer dispositivo eletrônico de hoje. Além do que, era um tempo de inflação alta, e a questão das reposição salariais, com as quais a Pró-RH trabalhava, não saía de pauta nunca.”
Na época, o então vereador Tadeu Felismino articulava o “Rumos do Norte”, um projeto para a região que ainda se ressentia do fim da cafeicultura. Paralelamente, Ivan Dias conheceu São Carlos (SP), que era uma espécie de paradigma brasileiro como pólo tecnológico. Tomou contato com novas linhas de pesquisa e de gestão e, sobretudo, com uma estrutura que vislumbrava interação da universidade com a iniciativa privada. Aprofundou-se no tema e elaborou um texto que alinhavava idéias para Londrina se desenvolver economicamente, com base em articulação que envolvia poder público e instituições de ensino superior.
A proposta correu a cidade. Ganhou visibilidade com uma reportagem na Folha de Londrina. Recebeu apoio institucional da UEL através do Conselho Universitário. Ivan Dias passou a ocupar o Núcleo de Inovação Tecnológica, ligado à pró-reitoria de Pesquisa. Começava a engrossar o tal caldo cultural que reivindica atenção e investimentos em ciência e tecnologia.
De um workshop em Santa Rita do Sapucaí (MG), cuja planta industrial é toda baseada em um centro de estudos doado por uma fazendeira local, Ivan Dias trouxe uma série de propostas: lutar pela vinda do Cefet; criar o curso de Engenharia Elétrica na UEL; implantar uma incubadora tecnológica na cidade; e formar um movimento em prol de um pólo tecnológico. Em sessão da Câmara de Vereadores, em outubro de 1993, nascia oficialmente a Adetec (Associação para o Desenvolvimento Tecnológico de Londrina). Toda essa epopeia foi descrita por Ivan Dias no livro recém-lançado “Contribuições para o Desenvolvimento Tecnológico de Londrina”.
Entre outras ações, a Adetec foi a entidade gestora da Incubadora Industrial de Londrina, da qual surgiram 45 empresas em sete anos. “Felizmente”, avalia Ivan Dias, “as novas lideranças estão afinadas com esse novo tipo de desenvolvimento, capaz de gerar renda sem poluir o meio ambiente”.